O projeto Motown de Michael McDonald foi um marco na sua carreira, resultando em dois álbuns principais onde ele interpreta clássicos da lendária editora de Detroit. Para quem escreve sobre música, estes discos são exemplos perfeitos de como um artista pode homenagear as suas raízes sem perder a identidade.
Nos anos 2000, Michael McDonald decidiu olhar para trás e celebrar o género que sempre moldou o seu estilo vocal: o Soul. O resultado foi uma série de álbuns que revitalizaram clássicos e apresentaram estas canções a uma nova geração com uma roupagem mais contemporânea e polida.
Este primeiro volume foi um sucesso estrondoso, recebendo duas nomeações aos Grammys. A produção é limpa e foca-se totalmente na entrega vocal de McDonald, que consegue trazer uma nova camada de melancolia a temas vibrantes.
A interpretação de "Ain't No Mountain High Enough" e a sua versão de "I Heard It Through the Grapevine". Ele não tenta imitar Marvin Gaye; ele traz a canção para o seu próprio universo barítono.
O álbum foi tão bem recebido que ajudou a solidificar o conceito de "álbum de interpretações" como algo respeitável e artístico, e não apenas comercial.
A sequência manteve o alto nível, explorando canções que exigiam ainda mais alcance e sensibilidade.
"Stop, Look, Listen (To Your Heart)" (originalmente dos Stylistics, mas popularizada por Marvin Gaye e Diana Ross na Motown) e a excelente versão de "Track of My Tears".
Diferente das versões originais da Motown, que tinham aquele som de banda de garagem refinada (os Funk Brothers), as versões de McDonald são mais "estúdio" — o som é cristalino, os teclados são muito presentes e o ritmo é ligeiramente mais cadenciado. É o encontro do Northern Soul com o West Coast Sound.
Estes álbuns são essenciais para entender a versatilidade de Michael McDonald. Eles provam que, embora ele seja o rei do Yacht Rock, o seu coração bate ao ritmo do R&B clássico.

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